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  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Artigo 1/7
 
CONSÓRCIO DE CULTURAS: LUCRO CERTO EM PEQUENAS PROPRIEDADES
Gessi Ceccon1
Mato Grosso do Sul tem um grande número de pequenas propriedades. Isso é resultado da independência dos filhos, e principalmente da distribuição de terras pela reforma agrária, que socialmente está correto, mas é de difícil administração no que se refere ao acompanhamento pela assistência técnica.
Considerando a origem dos pequenos agricultores de MS, principalmente dos novos assentamentos rurais, produzir não é muito simples, pois a maioria está administrando sua propriedade pela primeira vez. Corrigir a acidez do solo é um dos primeiros passos e de baixo custo. Em seguida preparar o solo, adubar e semear as culturas é um passo mais complexo.
Dentre os nutrientes a serem aplicados, o nitrogênio é um dos adubos mais onerosos, principalmente se o agricultor tiver que adquirir o produto industrializado. No entanto os adubos verdes são espécies leguminosas que tem a capacidade de assimilar o nutriente do ar atmosférico.
O cultivo de duas espécies numa mesma área, entre uma gramínea e uma leguminosa, conhecido como consórcio, é uma forma de aumentar o aporte de N no solo através da fixação biológica do nitrogênio atmosférico pela leguminosa, com evidente aumento de produtividade pelas duas culturas.
Milho e feijão formam o consórcio mais antigo e também conhecido por pequenos agricultores, no entanto a incorporação de nitrogênio é pequena e as duas culturas tem ciclo curto, deixando o solo descoberto pelo restante do ano. O consórcio de milho com mucunas, feijão de porco ou feijão guandu tem se mostrado eficiente em diversos aspectos, principalmente para pequenos agricultores, no sentido de manter o solo coberto durante o ano todo, evitando a incidência de plantas daninhas e melhorando as propriedades do solo.
Para maior aproveitamento do consórcio, as culturas devem ser implantadas no início do período das chuvas, entre final de setembro e início de outubro, a fim de proporcionar maior aproveitamento das águas, com maior crescimento das culturas.
Nesse consórcio, o milho apresenta ciclo mais curto que os adubos verdes e é colhido durante o mês de fevereiro. Com isso, as espécies de adubos verdes continuam crescendo e suas sementes podem ser colhidas entre os meses de julho e agosto. Com a colheita do milho, o agricultor tem alimento para seu sustento, e de seus animais, além de ser um produto de alta liquidez. Em seguida tem a colheita das sementes das espécies de adubos verdes, pode se tornar um produtor de sementes dessas espécies.
O consórcio de milho com mucunas desenvolvido na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, MS, durante a safra 2005/06, demonstrou que o rendimento de grãos de milho não é reduzido pela presença da espécie em consórcio.
A produção de sementes de adubos verdes em consórcio com milho é uma tecnologia que pode viabilizar o cultivo de grãos nas pequenas propriedades de MS, além de aumentar o aporte de matéria orgânica ao solo, com maior fornecimento de nitrogênio, e incremento na produtividade das culturas.
Trabalhos:
 
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EMBRAPA PESQUISA MILHO SAFRINHA COM BRACHIÁRIA

Gessi Ceccon1
Os resíduos vegetais mantidos na superfície protegem o solo do aquecimento excessivo e da perda de água por evaporação, proporcionando melhores condições para uma nova produção de palha e grãos, principalmente, em regiões de clima tropical.
O cultivo em consórcio é um sistema em que numa mesma área são implantadas duas ou mais espécies, que convivendo juntas, parte ou todo seu ciclo, possibilitando aumento de produtividade. Trata-se de uma prática antiga e desenvolvida com bastante eficiência com milho e feijão e, recentemente, o consórcio de milho com brachiarias tem sido bastante estudado.
A maioria das pesquisas que visam à produção de palha e rotação de culturas omitem a necessidade do agricultor utilizar culturas com retorno econômico. Neste sentido, a Embrapa Agropecuária Oeste é pioneira em vislumbrar a utilização do consórcio de milho safrinha com brachiaria para produção de palha e grãos em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
O trabalho está sendo desenvolvido em Batayporã, Dourados e São Gabriel do Oeste, em sistema plantio direto e foi viabilizado pela dedicação de seus pesquisadores e o apoio da Fundect, Fundação Agrisus, Fundação MS, Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste e Cooperativa Coopergãos. Estão sendo avaliadas a B. brizantha, a B. ruziziensis, a crotalaria juncea, o feijão guandu, e o panicum Tanzania, todos em consórcio com o milho.
A técnica consiste na utilização das mesmas máquinas usadas para cultivo de soja no verão, no sentido de reduzir custos com máquinas. O milho safrinha é cultivado em linhas de 0,90 m entre si e a espécie em consórcio semeada concomitantemente na linha intercalar. O adubo é colocado apenas nas linhas do milho, que permite maior desenvolvimento inicial,, evitando assim a competição por luz e nutrientes com as espécies em consórcio, além de dispensar a aplicação de herbicida.
Os resultados preliminares comprovam que o milho safrinha é a espécie que mais produz palha, demonstrando a sua importância no sistema de produção. Contudo, quando somados os valores de massa do milho com a massa da brachiaria, percebe-se que o consórcio apresenta maior rendimento de palha e cobertura do solo sem, no entanto, reduzir o rendimento de grãos do milho.

 
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MILHO SAFRINHA EM CONSÓRCIO COM ALTERNATIVAS DE OUTONO-INVERNO PARA PRODUÇÃO DE PALHA E GRÃOS, EM MS, EM 2005.

Gessi Ceccon1, Edvaldo Sagrilo1, Francisco Marques Fernandes1, Luís Armando Zago Machado1, Luiz Alberto Staut1, Marco Giovane Pereira2, Carlos Felipe Backes2, Paulo Giovani Gall de Assis3, Gleydson Andrade de Souza4, ,

 

As alterações no sistema de manejo do solo, como a adoção do sistema plantio direto (SPD), e a substituição do trigo pelo milho no outono-inverno promoveram mudanças significativas na utilização de máquinas e plantas para cobertura de solo.
Os resíduos vegetais na superfície protegem o solo do aquecimento excessivo e da perda de água, devido à alta refletividade da radiação solar e baixa condutividade térmica dos mesmos, proporcionando ainda menor amplitude térmica diária (Johnson e Lowery, 1985), sendo benéficos nas regiões de clima tropical.


A cobertura de inverno desempenha importante papel no controle de plantas invasoras (Roman e Velloso, 1993). Espécies visando a cobertura do solo, em Mato Grosso do Sul, destacam-se: a aveia (Pitol, 1988), o sorgo (Machado et al., 2004), o milheto (Kichel e Miranda, 2000) e o nabo (Hernani et al., 1995), observadas as particularidades regionais.


O cultivo em consórcio é um sistema em que numa mesma área são implantadas duas ou mais espécies, convivendo juntas, parte ou todo seu ciclo, possibilitando aumento de produtividade (Portes et al., 2003). Trata-se de uma prática antiga e desenvolvida com bastante eficiência, com milho e feijão, e recentemente o consórcio é também conhecido como “mistura” de milho com outras gramíneas, inclusive no outono-inverno (Soares et al., 2000).


Amado et al. (1999), observaram maior fornecimento de nitrogênio para o milho quando este foi precedido do consórcio aveia + ervilhaca, que promoveu incremento na produtividade de milho. Para Portes et al. (2003), o cultivo de uma gramínea com uma leguminosa proporcionou aumento no teor de nitrogênio no sistema. Kuramoto e Leandro (2002), observaram que o feijão de porco e braquiária foi o consórcio mais produtivo e, para Matos et al. (2002) a Crotalária juncea é uma opção de cobertura entre as safras de soja.


Nas condições de cerrado, o consórcio de gramíneas (braquiária + milho, sorgo ou arroz) é uma alternativa que reduz custos para implantação do pasto e a forragem produzida é de melhor qualidade.
O trabalho tem a premissa de unir os benefícios da consorciação de culturas, com a utilização das mesmas máquinas utilizadas na implantação da sucessão predominante, mantendo a cultura de rendimento econômico e na mesma operação de semeadura introduzir culturas intercalares para produção de palha.


O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar espécies no outono-inverno visando a produção de palha e grãos em sistema plantio direto no MS.


O clima da região, segundo a classificação climática de Köppen, é do tipo Cfa/Cwa. A precipitação média anual é de 1.750 a 2.000 mm. O relevo é predominantemente plano e suavemente ondulado (Mato Grosso do Sul, 1990).
Os experimentos foram implantados em Dourados (11/03/05) e São Gabriel do Oeste (15/03/05), em solos com aptidão agrícola e, em Batayporã (15/04/05), em solos com aptidão intermediária, entre lavoura e pastagem. A colheita de grãos do milho e a massa das alternativas foi realizada em 26/07/05 em Dourados, 03/08/05 em São Gabriel do Oeste e 25/08/05 em Batayporã. Em São Gabriel do Oeste foi necessário ressemear a Crotalária juncea e o feijão guandu devido a uma aplicação indevida de herbicida atrazine e, com isso seu desempenho foi afetado.


O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com três repetições, em parcelas de 8,1m x 10m.
Os tratamentos foram: milho solteiro - testemunha (T1), milho + Panicum maximum cv. Tanzânia (T2), milho + Brachiaria brizantha (T3), milho + Brachiaria ruziziensis(T4), milho + Crotalária juncea (T5) milho + feijão guandu (T6), sorgo forrageiro “Santa Elisa 38” (T7) e Brachiaria ruziziensis (T8).


O milho safrinha foi semeado mecanicamente, em linhas espaçadas de 0,90m e as espécies em consórcio implantadas manualmente na entrelinha do milho. O sorgo Santa Elisa (T7) e a Braquiária ruziziensis (T8), solteiros, foram implantados com 0,45 m entre linhas. A adubação foi realizada apenas na linha do milho, aplicando-se 300 kg ha-1 da fórmula 8-20-20. Utilizou-se o híbrido duplo BRS 2020 em Dourados e Batayporã e o híbrido simples 44A54 em São Gabriel do Oeste.


As avaliações de massa seca das alternativas, inclusive do milho safrinha, foram realizadas em duas linhas de seis metros, colhendo-se as espigas do milho e, cortando-se as plantas a 0,10 m de altura e, sendo a massa quantificada. Dessa amostra foi retirado uma sub-amostra para secagem em estufa a 60ºC, para determinação do rendimento de massa seca. A altura de plantas foi realizada em três plantas por parcela, no milho e na alternativa em consórcio.


Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-knott ao nível de 5% de probabilidade.


A altura de plantas do milho não foi afetada pela presença da alternativa em consórcio nos três locais avaliados, assim como o rendimento de massa da parte aérea e o rendimento de grãos também não apresentaram diferença estatística significativa (Tabelas 1, 2 e 3). Esses resultados demonstram que a implantação da alternativa em consórcio, no mesmo dia da semeadura do milho, com adubação apenas no milho é uma possibilidade para viabilizar o rendimento de grãos de milho e de palha pela espécie alternativa.

 

Tabela 1. Características do milho safrinha e das espécies alternativas em consórcio, em Dourados, MS, 2005.

Tratamento

AM(ns)

IE(ns)

AA

MSA

MSM(ns)

MST

RGM(ns)


............m............

.................kg ha-1..............................

Milho safrinha (Testemunha)

1,81

0,88

1,81

a

8.838

a

8.838


8.838

b

3.685

Milho safrinha+ Panicum tanzânia

1,78

0,91

1,30

b

1.678

c

9.257


10.411

a

3.490

Milho safrinha+Brachiaria brizantha

1,75

0,87

1,31

b

2.105

c

8.342


10.447

a

3.391

Milho safrinha+ Brachiaria ruziziensis

1,74

0,89

1,01

c

2.333

c

8.687


11.021

a

3.185

Milho safrinha+Crotalaria juncea

1,77

0,92

1,72

a

1.693

c

7.769


9.463

b

3.239

Milho safrinha+Guandu

1,76

0,93

1,43

b

1.111

c

9.100


9.853

b

2.864

Sorgo Santa Elisa (solteiro)

*

*

1,75

a

4.798

b

*


4.798

c

*

Brachiaria ruziziensis (solteira)

*

*

0,85

d

2.484

c

*


2.484

d

*

Média

1,77

0,90

1,40


3.130


8.665


8.414


3.309

C.V.(%)

6,2

8,3

8,1


19,6


11,4


10,3


8,8


AM= Altura de plantas do milho;

IE= Inserção de espiga;

AA= Altura de plantas da alternativa;

MSA= Massa seca da alternativa;

MSM= Massa seca do milho;

MST= Massa seca total;

RGM= Rendimento de grãos de milho. Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade; (ns)= não significativo pelo teste de Scott-Knott ao nível indicado.


Salientar que o milho safrinha foi a espécie “alternativa” que mais produziu massa da parte aérea (palha + sabugo), demonstrando a sua importância no sistema. Contudo, quando somados os valores de massa do milho com a massa da alternativa (MST), percebe-se que o consórcio com Braquiária brizanta e com Tanzânia apresentaram maiores rendimentos MST nos três locais (Tabelas 1, 2 e 3). O milho safrinha com Braquiária ruziziensis apresentou rendimentos de MST superiores ao milho solteiro em Dourados e Batayporã (Tabelas 1 e 3). Em Batayporã o consórcio com Crotalária juncea também foi superior ao milho solteiro (Tabela 3). Em São Gabriel do Oeste a Crotalária juncea e o feijão guandu foram prejudicados pela aplicação desnecessária do herbicida atrazine.


Tabela 2. Características do milho safrinha e das espécies alternativas em consórcio, em São Gabriel do Oeste, MS, 2005.

Tratamento

AM(ns)

IE(ns)

AA

MSA

MSM(ns)

MST

RGM(ns)


.................m.................

.................kg ha-1......................

Milho safrinha (Testemunha)

1,65

0,88

1,65

a

7.796

a

7.796

7.796

b

4.563

Milho safrinha+ Panicum tanzânia

1,85

0,95

1,08

c

1.767

d

6.964

8.732

a

4.754

Milho safrinha+Brachiaria brizanta

1,77

0,92

0,98

c

2.751

c

6.937

9.688

a

4.180

Milho safrinha+Brachiaria ruziziensis

1,63

0,90

0,96

c

1.696

d

6.363

8.060

b

3.811

Milho safrinha+Crotalaria juncea

1,64

0,95

0,50

d

161

e

6.752

6.914

b

4.418

Milho safrinha+Guandu

1,64

0,93

0,48

d

364

e

7.367

7.731

b

4.565

Sorgo Santa Elisa (solteiro)

*

*

1,37

b

2.962

c

*

2.962

c

*

Brachiaria ruziziensis (solteira)

*

*

0,98

c

3.964

b

*

3.964

c

*

Média

1,70

0,92

1,00


2.683


7.030

6.981


4.382

C.V.(%)

6,0

6,0

9,8


14,9


11,0

10,9


6,4

AM= Altura de plantas do milho;

IE= Inserção de espiga;

AA= Altura de plantas da alternativa;

MSA= Massa seca da alternativa;

MSM= Massa seca do milho;

MST= Massa seca total;

RGM= Rendimento de grãos de milho. Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade; (ns)= não significativo pelo teste de Scott-Knott ao nível indicado.

Tabela 3. Características do milho safrinha e das espécies alternativas em consórcio, em Batayporã, MS, 2005

Tratamento

AM(ns)

IE(ns)

AA

MSA

MSM(ns)

MST

RGM(ns)


…………m…………

.....................kg ha-1....................

Milho safrinha (Testemunha)

1,57

0,79

1,57

a

6.144

a

6.144

6.144

b

2.204

Milho safrinha+ Panicum tanzânia

1,53

0,71

0,70

c

1.021

d

5.855

6.877

a

2.992

Milho safrinha+Brachiaria brizanta

1,51

0,63

0,70

c

1.584

c

5.284

6.869

a

1.694

Milho safrinha+Brachiaria ruziziensis

1,51

0,81

0,68

c

1.317

c

6.140

7.457

a

1.847

Milho safrinha+Crotalaria juncea

1,50

0,69

0,64

c

860

d

6.620

7.480

a

1.942

Milho safrinha+Guandu

1,65

0,74

0,52

d

500

d

5.368

5.869

b

2.638

Sorgo Santa Elisa (solteiro)

*

*

0,90

b

3.626

b

*

3.626

c

*

Brachiaria ruziziensis (solteira)

*

*

0,58

d

1.823

c

*

1.823

d

*

Média

1,55

0,73

0,79


2.109


5.902

5.768


2.220

C.V.(%)

7,9

12,5

7,0


21,3


11,1

11,1


26,3

AM= Altura de plantas do milho;

IE= Inserção de espiga;

AA= Altura de plantas da alternativa;

MSA= Massa seca da alternativa;

MSM= Massa seca do milho;

MST= Massa seca total;

RGM= Rendimento de grãos de milho. Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade; (ns)= não significativo pelo teste de Scott-Knott ao nível indicado.


Diante dos resultados pode-se concluir que o consórcio de milho safrinha com outras espécies é uma importante alternativa para produção de palha e grãos, podendo viabilizar o sistema plantio direto na Região Centro-Oeste do Brasil.

 


REFERÊNCIAS

AMADO, T. J. C.; MIELNICZUCK, J.; FERNANDES, S. B. V.; BAYER, C. Culturas de cobertura, acúmulo de nitrogênio total no solo e produtividade de milho. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v.23, p.679-686. 1999.

HERNANI, L. C.; ENDRES, V. C.; PITOL, C.; SALTON, J. C. Adubos verdes de outono/inverno no Mato Grosso do Sul. Dourados: EMBRAPA-CPAO, 1995. 93 p. (EMBRAPA-CPAO. Documentos, 4).

JOHNSON, M. D.; LOWERY, B. Effect of three conservation tillage practices on soil temperature and thermal properties. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 49, p. 1547-1552, 1985.

KICHEL, A. N.; MIRANDA, C. H. B. Uso do milheto como planta forrageira. Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte, 2000. 7 p. (Embrapa Gado de Corte. Gado de Corte Divulga, 46).

KURAMOTO, M. P. F.; LEANDRO, W. M. Produção de soja, em plantio direto, em diferentes espécies de palhadas, isoladas ou consorciadas com gramíneas. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 25.; REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 9.; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 7.; REUNIÃO BRASILEIRA DE BIOLOGIA DO SOLO, 4., 2002, Rio de Janeiro. FERTBIO 2002: [programa e resumos]. Rio de Janeiro: UFRRJ: Embrapa Solos; Itaguaí: Embrapa Agrobiologia, 2002. 1 CD-ROM.

MACHADO, L. A. Z.; ASSIS, P. G. G. de; PALOMBO, C. Sorgo para pastejo/corte e cobertura do solo no período de outono/inverno (safrinha) em Mato Grosso do Sul. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2004. 19 p. (Embrapa Agropecuária Oeste. Boletim de pesquisa e desenvolvimento, 16).

MATO GROSSO DO SUL. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. Atlas multireferencial. Campo Grande, 1990. 28 p.

MATOS, R. P. ; LAZARINI, E.; SILVA, J. A. da; CAVALLARO JÚNIOR, M. L. Efeito de sistemas de preparo do solo, culturas de cobertura e rotação de culturas, nas culturas de milho e soja. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 25.; REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 9.; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 7.; REUNIÃO BRASILEIRA DE BIOLOGIA DO SOLO, 4., 2002, Rio de Janeiro. FERTBIO 2002: [Programa e resumos]. Rio de Janeiro: UFRRJ: Embrapa Solos; Itaguaí: Embrapa Agrobiologia, 2002. 1 CD-ROM.

PITOL, C. A cultura da aveia no Mato Grosso do Sul. Maracaju: COTRIJUI, 1988. 34 p. (COTRIJUI. Boletim técnico, 2).

PORTES, T. de A.; CARVALHO, S. I. C. de ; KLUTHCOUSKI, J. Aspectos fisiológicos das plantas cultivadas e análise de crescimento da Brachiaria consorciada com cereais. In: KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L. F.; AIDAR, H. (Ed.). Integração lavoura-pecuária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003 p. 303-330.

ROMAN, E. S.; VELLOSO, J. A. R. de O. Controle cultural, coberturas mortas e alelopatia em sistemas conservacionista. In: Plantio Direto no Brasil. Passo Fundo: Aldeia Norte, 1993. p. 77-84. Editores: EMBRAPA-CNPT, FUNDACEP-FECOTRIGO, Fundação ABC.

SOARES,D. M.; DELPELOSO, M. J.; KLUTHCOUSKI, J.; GANDOLFI, L. C.; FARIA, D. J. de. Tecnologia para o sistema consórcio de milho com feijão no plantio de inverno. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2000. 51 p.

1 Pesquisadores, Embrapa Agropecuária Oeste, BR 163, km 253,6 Caixa postal 661, CEP 79804-970, Dourados, MS. ceccon@cpao.embrapa.br;

2 Acadêmicos de Agronomia UNIDERP, bolsistas do CNPq.

3 Técnico Agrícola, bolsista do CNPq

4 Acadêmico da UNIDERP, bolsista da Fundação Agrisus.

 
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QUALIDADE DE SEMENTES E DESENVOLVIMENTO INICIAL DE MILHO SAFRINHA COMERCIALIZADO NA REGIÃO DE DOURADOS, MS

Gessi Ceccon 1; Giovani Rossi 2; Simone Ceccon 3

Observou-se um crescimento exponencial do milho safrinha na área cultivada em Mato Grosso do Sul, tornando-se uma cultura de importância econômica para o Estado. Em 1988, foram colhidos 125 ha; em 1993, 119.877 ha; em 1999, 306.301 ha e; em 2005, 361.513 ha, com evolução também na produtividade, que de 1.200 kg ha-1 em 1988, passou para 2.427 kg ha-1 em 2005 (Levantamento..., 1987-05).

Paralelamente a esse aumento em área e produtividade, ocorreu aumento da demanda por pesquisas e insumos, a fim de proporcionar condições para que a cultura tivesse melhor desempenho ao longo dos anos. Um dos componentes da produção ao qual foi dada devida atenção foi a qualidade das sementes utilizadas na semeadura do milho safrinha.

A qualidade das sementes é um fator de importância para o sucesso de qualquer cultura, interferindo em todos os seus estádios e, em alguns casos, na produtividade. Pode ser definida como um resultado do efeito de várias características que expressam o potencial agronômico das sementes, destacando-se aquelas relacionadas à fisiologia.

O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a qualidade fisiológica das sementes e o desenvolvimento inicial de cultivares de milho safrinha comercializados na região de Dourados (MS).

O experimento foi realizado na Embrapa Agropecuária Oeste, entre fevereiro e março de 2005. Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado, com 60 tratamentos e quatro repetições com 50 sementes em cada parcela.

Sementes de sessenta cultivares de milho de diversas empresas foram semeadas em bandejas plásticas (0,40 x 0,60 x 0,10 m), com substrato composto por areia e solo, na proporção de 3:2, respectivamente. Em cada bandeja foram colocados quatro genótipos, com 50 sementes, dispostas sobre uma camada de substrato de cerca de 7 cm de espessura, sendo, em seguida, pressionadas com o auxílio de outra bandeja e, posteriormente, cobertas por outra camada de substrato com cerca de 1,5 cm. Irrigações diárias foram realizadas a fim de manter a umidade do solo próximo à capacidade de campo.

Para a avaliação da qualidade das sementes de milho, foram desenvolvidos três diferentes testes no mesmo experimento, obtendo-se dados referentes à porcentagem de germinação (%G), primeira contagem de germinação e ao índice de velocidade de emergência (VE), sendo os dois últimos utilizados como índices de vigor.

A primeira contagem e a porcentagem de germinação foram obtidas através da contagem do número total de plântulas emergidas, respectivamente, ao quarto e sétimo dias após a semeadura (DAS), considerando os critérios estabelecidos pelas RAS (Brasil, 1992), e de acordo com método descrito por Fessel et al., (2003).

O índice de velocidade de emergência foi obtido através da contagem do número de plântulas emergidas a cada dia, tendo início com a emergência das primeiras plântulas, até o sétimo DAS , calculando-se assim o índice de velocidade de emergência (Scotti e Krzyzanowski, 1977). Considerou-se como emergida a plântula quando o coleóptilo rompeu a superfície do solo, tornando-se facilmente visível.

Aos dez DAS, as plântulas foram coletadas do substrato, lavadas, separadas em parte aérea e raiz, e levadas para câmara de circulação forçada de ar, com temperatura constante (60 ºC), até atingirem massa constante. Em seguida, os materiais foram pesados, obtendo-se a massa seca da raiz, parte aérea e total (MSR, MSA e MST respectivamente). A massa de sementes foi determinada através da pesagem de 100 sementes (PCS).

 

Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott Knott, ao nível de 5%. Para estudo da associação entre os caracteres foi obtido o coeficiente de correlação linear (r).

Houve evidência de correlação entre as variáveis germinação, primeira contagem e índice de velocidade de emergência (Tabela 1) para todas as cultivares. Tais correlações foram obtidas também por Borges et al. (1987), e podem ser explicadas pelo fato de as condições fisiológicas e bioquímicas das sementes serem semelhantes nos processos de germinação e emergência das plântulas.

Tabela 1. Coeficientes de correlação simples entre as variáveis: porcentagem de germinação (%G), primeira contagem, índice de velocidade de emergência (VE), massa seca da raiz (MSR), massa seca da parte aérea (MSA), massa seca total (MST) e peso de cem sementes (PCS)

 


% G

1º Contagem

VE

MSR

MAS

MST

%G

-----






1.ª Contagem

0,97

-----





VE

0,88

0,89

-----




MSR

-0,15

-0,19

-0,32

-----



MAS.

0,01

0,49

0,06

0,20

-----


MST

-0,11

-0,12

-0,21

0,86

0,67

-----

PCS

-0,09

-0,11

-0,18

0,67

0,57

0,80

O índice de velocidade de emergência mostrou ser o mais sensível para a detecção de variações na qualidade fisiológica das sementes, seguido pela primeira contagem (Tabela 2). A massa seca da raiz e a massa seca da parte aérea tiveram baixo valor de r , que pode ser devido ao fato de que, nos genótipos com maior crescimento de suas estruturas radiculares, não houve bom desenvolvimento da parte aérea, em função da maior translocação de reserva das sementes para a formação do sistema radicular. Fenômeno semelhante deve ter ocorrido quando em determinados genótipos ocorreram os maiores acúmulos de massa seca da parte aérea, pois, nesses casos, os respectivos materiais não obtiveram bons desempenhos de acúmulo de massa seca da raiz.

Observou-se no PCS valor médio e positivo do r com a massa seca da parte aérea e de raiz. A massa seca da parte aérea não apresentou nenhuma relação (valores de r próximo de zero) com os testes de germinação e vigor (Tabela 1), demonstrando que bom desempenho na germinação, primeira contagem e velocidade de emergência, não garantem bom desenvolvimento da parte aérea das plântulas.

Com poucas exceções, as cultivares com os melhores resultados de acúmulo de massa seca da raiz tiveram baixos índices de germinação e vigor, o que também pode ser explicado pelo direcionamento das substâncias de reserva, porém, em menores quantidades para as estruturas aéreas.

Dentre as 60 cultivares avaliadas, apenas duas delas não se enquadraram nos padrões necessários à comercialização. Foram observadas, nas cultivares, diferenças quanto à qualidade de sementes, indicando que a sua escolha deve ser criteriosa.

Para as condições de milho safrinha, a utilização de cultivares com maior desenvolvimento do sistema radicular nos estádios iniciais da cultura pode ser uma importante ferramenta, com o propósito de minimizar os danos causados pela estiagem no período de desenvolvimento inicial da cultura.

 

Tabela 2. Valores médios da porcentagem de germinação, primeira contagem, índice de velocidade de emergência (VE), massa seca de raiz (MSR), massa seca da parte aérea (MSA), massa seca total (MST) e peso de cem sementes (PCS), obtidos nos testes para avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho safrinha, na região de Dourados, MS

Genótipos

Germinação

Primeira contagem

VE

MSR

MSA

MST

PCS

...................mg/plântula...................

g


..................%...................

DKB 747

100 a

100 a

32 a

136 d

101 b

237 c

32 k

Exceler

99 a

99 a

31 b

223 a

91 c

315 a

43 a

AG 5020

99 a

99 a

32 a

185 b

108 b

293 a

37 f

AS-32

99 a

99 a

31 b

184 b

92 c

277 b

33 j

AG 405

99 a

99 a

30 b

176 b

97 c

274 b

35 h

AS-1548

99 a

99 a

32 a

158 c

99 b

258 b

33 j

CO 32

99 a

99 a

32 a

152 c

85 c

237 c

34 j

Balú 184

99 a

99 a

32 a

152 c

72 d

225 c

28 o

3027

99 a

99 a

32 a

146 c

104 b

250 b

35 h

A4450

99 a

99 a

32 a

139 d

86 c

226 c

32 k

C 701

99 a

99 a

32 a

137 d

75 d

213 c

30 m

8480

99 a

99 a

33 a

136 d

70 d

207 d

27 q

DKB 909

99 a

99 a

31 b

122 d

68 d

191 d

21 v

Balú 761

99 a

98 a

32 a

189 b

73 d

263 b

35 h

AGN 31A31

99 a

98 a

32 a

164 c

75 d

239 c

31 l

9560

98 a

98 a

32 a

160 c

87 c

248 b

36 g

C 435

99 a

98 a

30 b

159 c

103 b

263 b

36 g

30F80

98 a

98 a

32 a

154 c

85 c

239 c

34 i

Tork

99 a

98 a

31 b

143 c

78 d

222 c

28 p

DKB 330

98 a

98 a

32 a

134 d

94 c

228 c

26 r

XB 70110

98 a

98 a

32 a

126 d

96 c

223 c

28 p

8420

98 a

98 a

32 a

125 d

92 c

217 c

24 t

AGN 34A11

98 a

98 a

32 a

118 d

62 e

181 d

23 u

SHS 4050

98 a

97 a

30 b

176 b

73 d

250 b

37 f

XB 7012

97 a

97 a

31 b

172 b

104 b

276 b

37 e

2B710

97 a

97 a

31 b

170 b

131 a

302 a

39 c

DKB 350

97 a

97 a

31 b

160 c

95 c

256 b

36 g

AG 9010

97 a

97 a

32 a

159 c

96 c

255 b

30 m

Traktor

98 a

97 a

31 b

154 c

77 d

231 c

30 m

Valent

97 a

97 a

32 a

140 d

77 d

218 c

32 k

DKB 466

98 a

96 b

28 c

185 b

79 d

264 b

38 e

Fort

96 a

96 b

31 b

172 b

98 c

270 b

35 h

BR 201

96 a

96 b

30 b

156 c

77 d

233 c

29 o

DKB 950

96 a

96 b

31 b

146 c

103 b

250 b

35 h

2C599

97 a

96 b

31 b

143 c

62 e

206 d

28 p

Tabela 2. (continuação).

Genótipos

Germinação

1º Contagem

VE

MSR

MSA

MST

PCS

A2555

96 a

96 b

29 c

134 d

89 c

223 c

33 j

AG 7000

97 a

96 b

31 b

129 d

63 e

193 d

24 t

AG 6040

98 a

96 b

30 b

128 d

59 e

187 d

24 t

Máster

96 a

96 b

31 b

121 d

76 d

197 d

28 p

AGN 3150

96 a

96 b

30 b

118 d

49 e

168 d

21 w

SHS-5070

95 a

95 b

29 c

211 a

104 b

315 a

41 b

AGN 2012

96 a

95 b

30 b

183 b

69 d

252 b

32 k

AGN 25A23

97 a

95 b

27 d

166 b

62e

228 c

29 n

AG 2040

95 a

95 b

30 b

149 c

71 d

221 c

32 k

AGN 3050

96 a

95 b

31 b

130 d

64e

195 d

25 s

AG 2060

97 a

94 b

29 c

183 b

51 e

234 c

28 o

Penta

95 a

93 b

29 c

182 b

100 b

282 a

35 h

SHS-5050

97 a

92 b

29 c

222 a

81 d

304 a

41 b

CD 308

94 a

92 b

30 b

152 c

71 d

223 c

27 q

XB 8010

91 b

91 b

29 c

159 c

76 d

236 c

28 o

AL Bandeirante

91 b

90 c

29 c

180 b

68 d

249 b

34 j

A010

93 a

90 c

29 c

150 c

71 d

222 c

34 i

XB 7253

91 b

89 c

28 c

160 c

113 b

274 b

39 c

A4454

91 b

89 c

29 c

139 d

77 d

217 c

31 l

BR 106

89 b

88 c

28 c

151 c

61 e

213 c

25 s

AGN 30A00

90 b

87 c

28 c

128 d

47 e

175 d

20 x

BR 206

86 b

84 d

27 d

179 b

103 b

283 a

38 d

BRS 3123

84 c

83 d

27 d

136 d

82 d

219 c

29 o

BRS 1010

79 d

77 e

24 e

196 a

89 c

286 a

36 g

BRS 2223

75 d

73 e

22 f

202 a

92 c

295 a

39 c

Média

95,9

95,2

30,7

157,8

83,1

240,9

32,1

Teste F

9,9

10,5

14,1

9,6

8,1

12,1

1013

CV%

3,2

3,4

3,6

10,4

14,4

8,3

1,0

Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Scott Knott, ao nível de 5% de significância.

 

REFERÊNCIAS

BORGES, J. W. M. et al. Correlação entre qualidade fisiológica da semente de milho e o comportamento da cultura em campo. Bahia: EPABA, 1987. 24 p. (EPABA. Boletim de pesquisa, 15).

BRASIL. Ministério da Agricultura. Departamento Nacional de Produção Vegetal. Regras para análise de sementes. Brasília, DF, 1992. 365 p.

FESSEL, S. A. et al. Avaliação da qualidade física, fisiológica e sanitária de sementes de milho durante o beneficiamento. Revista Brasileira de Sementes, Brasília, v. 25, n. 2, p. 70-76, 2003.

LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. Campo Grande, MS: IBGE, Unidade Estadual-MS, 1987-2005.

SCOTTI, C. A.; KRZYZANOWSKI, F. C. Influência do tamanho da semente sobre a germinação e vigor em milho. Londrina: IAPAR, 1977. 10 p. (IAPAR. Boletim Técnico, 5).

1() Embrapa Agropecuária Oeste, BR 163, km 253 Caixa Postal 661, 79804-970 Dourados (MS). E-mail: ceccon@cpao.embrapa.br.

2() Agronomia, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900 Maringá (PR). E-mail: giovanirossi@hotmail.com.

3() Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Rua Milton Rocha 205, 79826-190 Dourados (MS). E-mail: simoned@uems.br.

 
Artigo 5/7
 
EMBRAPA PESQUISA MILHO PARA ARTESANATO
Gessi Ceccon1
 

O artesanato com a palha de milho vem se tornando uma importante alternativa de renda para diversas comunidades rurais, principalmente na região do Vale do Jequitinhonha, Zona da Mata e regiões metropolitanas de Minas Gerais e outras regiões do Brasil. Em Mato Grosso do Sul, um grupo de agricultoras de Itaquiraí tem trabalhado com alguns produtos, dentre eles a palha de milho.


As variedade de milho para artesanato apresentam uma variação no comprimento da espiga e na cor da palha, que desperta criatividade e habilidade das agricultoras artesãs. Bonecas, cestos, móveis trançados e outros produtos feitos com a palha do milho têm contribuído para o incremento do artesanato rural como atividade lucrativa, despertando o interesse de empresas dispostas a comercializar esses produtos nos mercados interno e externo.


O artesanato destaca-se, também, como alternativa importante a ser considerada na diversificação das atividades para a fixação de homens e mulheres no campo, evitando o êxodo rural.


Para dar suporte ao trabalho dos pequenos agricultores, a Embrapa está avaliando variedades de milho com palha colorida, e também quanto ao rendimento de grãos, ambos constituindo importante fonte de renda para o agricultor. Algumas variedades já foram identificadas como tendo palha de qualidade para artesanato, porém ainda não foram avaliadas quanto ao desempenho agronômico, e precisam da aceitação junto ao produtor. A primeira parte do trabalho é desenvolvida na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, e a segunda em Itaquiraí, juntamente com o Idaterra e as artesãs, para validar a qualidade e aceitabilidade da palha como produto para artesanato.


A participação do agricultor e do pesquisador trabalhando ao mesmo tempo no projeto faz com que o melhoramento participativo seja de fundamental importância para o alcance dos objetivos da pesquisa e a satisfação do cliente.


Com isso, espera-se que o trabalho permita selecionar variedades que atendam às exigências de agricultores que se dedicam ao cultivo de milho, visando obter tanto grãos quanto palha para as atividades artesanais.

1 Pesquisador, Embrapa Agropecuária Oeste, BR 163, km 253,6 Caixa postal 661, CEP 79804-970, Dourados, MS. ceccon@cpao.embrapa.br;
 
Artigo 6/7
 
Milho safrinha: escolha certa da semente
Gessi Ceccon1
 

 

Com a Lei de proteção de cultivares, não existe mais uma comissão oficial para recomendação de cultivares. Cada empresa produtora de sementes tem seu programa de melhoramento genético e é a única responsável pelas informações tecnológicas de cada genótipo disponível aos agricultores, que estão sempre à procura de uma semente que “pague a conta”. No entanto, essa semente ainda não apareceu, mas o conjunto de tecnologias aplicadas a elas pode melhorar a produtividade da lavoura.
As novas sementes incrementam em produtividade, e trazem algum valor agregado, como: melhor tipo agronômico, ciclo adaptado às condições edafoclimáticas locais, a fertilidade do solo e resistência a doenças e insetos. Muitas empresas têm feito uso de tecnologias avançadas, como marcadores moleculares, mutagêneses e bioinformática, para reduzir o tempo de obtenção de uma nova variedade ou híbrido.
Alguns agricultores têm procurado variedades de soja de ciclo superprecoce, com o objetivo de realizar a semeadura do milho safrinha o mais cedo possível, pelo menos em parte da propriedade. Assim, a escolha da cultivar adequada para cada época de semeadura, a fim de aumentar o período de colheita otimizando as máquinas na propriedade, deve ser uma preocupação constante do agricultor.
O milho tem apresentado aumentos de produtividade nos últimos anos, mais especificamente para agricultores tecnificados, devido à adoção de melhores práticas de manejo e também pelo constante melhoramento genético.
No mercado de sementes existem variedades e híbridos, e com crescente aumento no número de híbridos simples e triplos, os quais ocupam cerca de 65% do mercado. Contudo, na safrinha, devido à instabilidade climática ser maior, o risco é maior e há necessidade de otimizar a relação custo benefício, disponibilizando mais híbridos duplos com alto potencial produtivo e de menor custo de aquisição.
Os novos genótipos apresentam incremento quanto ao teor de proteína bruta, lignina, massa seca na colheita, velocidade de emergência, resistência ao acamamento, empalhamento, prolificidade, peso de grãos, densidade, tolerância a herbicida e cultivares adaptadas para as diversas condições, inclusive para cultivo em solos “arenosos”.
Essas características e o conhecimento do comportamento das cultivares com relação às doenças, época de semeadura, nível de investimento e produtividade esperada auxiliam os agricultores na escolha da cultivar.

Artigo 7/7
Adubação nitrogenada na cultura do milho safrinha
Luiz Alberto Staut1
A cultura do milho safrinha, implantada no início dos anos 80, no Estado do Paraná, ganhou destaque na região Centro - Oeste como mais uma alternativa econômica na entressafra. O milho safrinha, segundo dados oficiais, contribui com 25% (nove milhões de t/ano) do total de milho produzido no Brasil (42 milhões de t/ano). A região Centro-Oeste nunca plantou tanto milho safrinha quanto neste ano de 2007. Levantamentos realizados durante o mês de janeiro indicam que a área plantada com o grão durante o inverno poderá chegar a 2 milhões de hectares nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Este aumento na área plantada é devido a estimativas de que a demanda por milho está aquecida e que os preços poderão ser maiores que os praticados em 2006. Isso ressalta a importância de que o produtor que investir em um programa de adubação mais arrojado e ajustado para a cultura do milho, terá como resultado altas produtividades e, conseqüentemente, maior rentabilidade na atividade.

Plantado geralmente em sucessão à soja, o milho safrinha aproveita o residual de parte dos nutrientes que foram colocados à disposição desta leguminosa. No caso do nitrogênio, considera-se que para cada tonelada de grãos de soja colhido ficam no solo cerca de 20 kg ha-1 de N. Outra fonte de N é a matéria orgânica do solo, o que significa que a cada 1% de matéria orgânica disponibilizaria ao longo do ano cerca de 30 kg ha-1 de N. Porém, quando se almeja produtividades elevadas (acima de 90 sc ha-1), se faz necessário a reposição dos nutrientes.

A demanda de nutrientes cresce linearmente com o aumento da produtividade tornando a cultura extremamente exigente nutricionalmente. Tomando como exemplo, para uma produtividade de 4.000 kg ha-1 a extração de nitrogênio é em torno de 90 kg ha-1 de N, quando o rendimento chega próximo a 8.000 kg ha-1 a demanda de N vai a mais de 160 kg ha-1 de N. Considerando que uma boa produtividade para o milho safrinha é de 80 sc ha-1 estima-se que a necessidade de nitrogênio seria algo em torno de 130 kg ha-1 de N.

Dentre os nutrientes essenciais ao crescimento e desenvolvimento das plantas, destaca-se o papel que o N desempenha no milho, como constituinte essencial dos aminoácidos, principais integrantes de proteínas. Como a formação dos grãos depende de proteínas na planta, a produção do milho está diretamente relacionada com o suprimento de N. Desta forma, a sua absorção tem uma dinâmica similar à acumulação de matéria seca pelo milho, sendo que os estádios de maior demanda são os compreendidos entre V4 (4 folhas distendidas) e V12 (12 folhas distendidas), sendo este o período de definição do potencial de produção do milho.

Por outro lado, tomando-se como referência o ciclo da cultura em dias, a absorção de N pelas plantas de milho ocorre em todo seu ciclo vegetativo, sendo pequena no primeiro mês, aumenta consideravelmente a partir daí, atingindo taxa superior a 4,5 kg ha-1 por dia, durante todo o florescimento. Entre 25 e 50 dias, a planta de milho chega a acumular 80% do N que necessita. Assim, o parcelamento visando ao aumento da eficiência da adubação nitrogenada, constitui uma prática recomendada que, para se obter a máxima eficiência do fertilizante nitrogenado é importante que o suprimento de N seja realizado até mais ou menos próximo aos sessenta dias após a emergência, uma vez que nesta data verifica-se que mais de 80% do N absorvido já está no interior da planta.

A adubação nitrogenada em cobertura tem sido bastante efetiva, ao minimizar as perdas do nutriente aplicado e atender à demanda da cultura. Entretanto deve-se levar em consideração a fenologia do milho, as condições climáticas e o tipo de solo, pois o parcelamento indiscriminado do adubo nitrogenado, em cobertura, pode comprometer o retorno econômico da adubação.

A eficiência da adubação nitrogenada é dependente entre outras variáveis, das condições climáticas. Nas condições em que os fatores climáticos não são limitantes, a pesquisa tem mostrado expressivas produções obtidas com a safrinha. Experimentos realizados em Mato Grosso do Sul, em solos de alta fertilidade, após o cultivo de soja, observou-se resposta à adubação do milho safrinha, principalmente ao N.

Foram testados seis doses de N (30, 60, 90, 120 e 150 kg ha-1) aplicadas todas na semeadura; 1/3 na semeadura e 2/3 com 4 folhas expandidas; 1/3 na semeadura e 2/3 com 8 folhas expandidas e 1/3 na semeadura e 2/3 com 10 folhas expandidas. Para as doses menores de 30 e 60 kg ha-1 de N, não houve diferença entre os diferentes modos de aplicação e os rendimentos foram em torno de 4.500 kg ha-1. Nas doses de 90, 120 e 150 kg ha-1 de N a melhor resposta foi quando houve o parcelamento de 1/3 na semeadura e 2/3 com oito folhas completamente expandidas e os rendimentos foram em torno de 6.600 kg ha-1.

Resultados semelhantes foram obtidos na região do Médio Vale do Paranapanema, com o cultivo de milho safrinha após a soja, com retorno econômico à aplicação de nitrogênio, principalmente em solos arenosos. Em solos argilosos as respostas foram pequenas porém constantes a até 40 kg ha-1 de N. Altas doses de fertilizante nitrogenado proporcionaram maior enchimento de grãos, e alguns híbridos mostraram aumento no teor de proteína e/ou produção de grãos. Embora essas respostas variem de um material genético para outro, o incremento da área foliar parece ser a explicação para o melhor desenvolvimento das plantas favorecido pelo fornecimento de nitrogênio.

No caso de se fazer cobertura nitrogenada dom uso da uréia, esta deve ser incorporada ao solo para diminuir as perdas do N amoniacal por volatilização. A necessidade nutricional da cultura é específica para cada local. Por isso, é importante o conhecimento do histórico da área para uma adequada recomendação de adubação. Quanto à necessidade de nitrogênio, é possível estimá-la, de forma prática, considerando a necessidade da cultura, o fornecimento pelo solo e a eficiência da adubação

Quando as condições climáticas não são favoráveis, podendo ocorrer risco de seca durante os estádios da cultura e a expectativa de produtividade for em torno de 2 a 3 t ha-1, dar preferência pela aplicação de N em dose única, na semeadura, com 30 a 45 kg ha-1.

1 pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste